A Lenda de São Cristóvão

Pra voces que nao conhecem a lenda do meu padroeiro eu copiei um texto aqui pra que voces pudessem conhecer um pouco mais!

Gertrudes, minha flor de lá de sapopemba, dedico a voce esse texto! Que nosso Sao Cristovao me conserve bom e com saude enquant dirijo de novo por esse Brasil de meu Deus!

Te amo!

 

A Lenda

Um rei pagão em Canaã ou na Arábia, através das preces de sua esposa teve um filho a quem batizou de Reprobus (Offerus), dedicando-o ao deus Apolo. Adquirindo tamanho e força extraordinárias com o tempo, Reprobus resolveu servir apenas aos mais fortes e bravos. Em sua busca por tais indivíduos, ele acabou servindo a um rei poderoso e a um indivíduo que alegava ser o próprio Satanás, mas acabou por achar que faltava coragem a ambos, uma vez que o primeiro temia o nome do diabo e o último se assustara com a visão de uma cruz na estrada. Em seguida, ele encontra um eremita que lhe educou na fé cristã, batizando-o. Reprobus se recusou a jejuar e a rezar para Cristo, mas aceitou a tarefa de ajudar as pessoas a atravessar um rio perigoso, no qual muitos haviam morrido ao tentar fazer a travessia.

Certo dia, Reprobus fez a travessia de uma criança que ficava cada vez mais pesada, de tal maneira que ele sentia como se o mundo inteiro estivesse sobre os seus ombros. Após a travessia, a criança revelou ser o Criador e o Redentor do mundo. Daí provém o nome Cristóvão, que significa “aquele que carrega Cristo”. Em seguida, a criança ordenou a Reprobus que fixasse seu bastão na terra. Na manhã seguinte, apareceu no mesmo local uma exuberante palmeira. Este milagre converteu muitos, despertando a fúria do rei da região. Cristóvão foi preso e, depois de um martírio cruel, decapitado.

Dizem que havia em certo país, em tempos que já vão longe, um homem agigantado, mas de alma de criança, Cristóvão, que queria servir ao rei mais poderoso do mundo.

Mostraram-lhe um rei da Terra, senhor de exércitos e de riquezas, arrogante e severo, que com um gesto poderia condenar à morte milhares de súditos.

– É o mais poderoso de toda da Terra? – perguntou Cristóvão.

– Não há outro como ele. O tropel dos seus soldados faz tremer o mundo. Quando ele fala, as cabeças se curvam como o trigo ceifado. É dono de mais ouro, de mais pedrarias, de mais escravos, de mais vassalos, que qualquer outro.

– Então é o mais poderoso? – repetiu Cristóvão.

E ficou servindo, fielmente, ao grande rei, durante muitos anos. Ora, um dia, houve uma guerra, e o soberano foi vencido. A cabeça orgulhosa curvou-se por sua vez.

Com a mesma lealdade, Cristóvão passou a servir ao vencedor. O novo amo, no entanto, tinha medo.

– Que temes? – perguntou-lhe Cristóvão.

– O diabo.

– Quem é esse?

– Esse – cochichou o rei, tremendo e olhando para os lados – é o verdadeiro Senhor do Mundo.

– Onde está, que quero servir-lhe?

– Estais doido? Não sei onde está, nem quero saber. Por mim, quanto mais longe dele, melhor.

Cristóvão saiu pelo mundo, indagando de uns e de outros, até que conseguiu, certo dia, encontrar o Diabo. Fez um trato com ele e passou a servir-lhe. Leal como as armas, fiel como as pombas, dócil como as crianças, durante anos e anos ele seguiu o novo amo, obedecendo-lhe em tudo.

Uma vez, ao passarem por uma cruz de pedra, à beira do caminho, o Diabo deu uma volta para não passar perto dela.

– Que é? – perguntou Cristóvão admirado.

– Uma cruz.

– Que representa?

– O sacrifício do Cordeiro.

– Por que deste uma volta?

– Ora! – o Diabo casquinou uma risadinha.

– Tens medo dela?

– Sim.

– Então é mais poderosa do que tu?

– Sim, certamente.

– E como te inculcavas como o Senhor do Mundo?

– Não sou eu, por acaso, o Rei da Mentira? – disse o Maligno com arrogância.

Cristóvão abandonou o Diabo e foi procurar o Senhor da Cruz. Andou muito e não o encontrou. Em todos os caminhos, junto de todas as cruzes, indagava:

– Onde está o Senhor da Cruz?

– No céu – diziam uns.

– Nas igrejas – diziam outros.

Ao céu, ele não podia ir. Nas igrejas, procurou, e não o encontrou jamais.

Depois de muito errar pelo mundo, parou à margem de um rio, onde, mercê de sua gigantesca estatura e de sua força, trabalhava, transportando passageiros nos ombros possantes. Numa noite de tempestade, um menino bateu à porta de sua choupana, à beira do rio, e disse-lhe:

– Vim buscar-te, para que me sirvas.

Cristóvão não entendeu bem.

– Que queres? Atravessar o rio?

– Isso também é um modo de me servir – respondeu misteriosamente.

– Então vamos. Quem veio contigo?

– Ninguém.

– Assim tão pequenino, estás sozinho?

– Estou contigo, Cristóvão.

– É verdade – disse o gigante. Sacudiu os cabelos que lhe desciam até os ombros, pôs um manto nas costas, pois chovia, e pegou a criança. Pesava tanto, tanto, que ele cambaleou ao levantar-se.

– Devo estar um pouco fraco – pensou ele. – Esta criança não pode pesar tanto. É tão pequenina!

No entanto continuava a se arrastar, para carregá-la.

– Por que pesas tanto, sendo tão pequenino?

– Porque trago nas mãos o mundo.

Havia muita meiguice na voz do menino, tanta, que o gigante sentiu o coração aquecer-se.

– Por que trazes nas mãos o mundo? És muito poderoso?

– Sim.

– Porventura serás aquele Senhor da Cruz que procuro? – tornou a perguntar o gigante, reparando que acima do mundo que ele trazia nas mãos brilhava uma cruz dourada.

– Sim. Eu sou.

E assim o bom gigante acabou servindo à cruz, a poderosa senhora, mais forte que todos os reis da terra, do inferno e do céu.