A Família Real e a Evolução (1839) |
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Os primeiros veículos de transporte a circular no Rio de Janeiro foram as diligências do negociante Sebastião Fabrejas Serigué , tendo recebido do Príncipe Regente o privilégio de explorar, em caráter exclusivo, uma linha do Largo de São Francisco ao Palácio de São Cristóvão (Lgo da Cancela) e para a Fazenda Santa Cruz, transportando as malas de correio e as pessoas que quisessem beijar as mãos de Sua Alteza. Além das diligências, passaram a circular ônibus, veículos de dois pavimentos puxados por quatro animais, adotados com sucesso na América do Norte e Europa. Em julho de 1838 foi inaugurado o tráfego entre a Praça da Constituição (atual Tiradentes) e Botafogo e, a partir de janeiro de 1839, para o Engenho Velho e São Cristóvão, onde os ônibus circulavam duas vezes pela manhã e três vezes à tarde. A iluminação a gás só chegou a São Cristóvão por volta de 1863, embora tenha sido ali construída pelo Barão de Mauá uma fábrica de gás em 1854, num terreno amplo e pantanoso à margem das ruas São Pedro e do Sabão da Cidade Nova, tendo sido vendida por ele em 1864. O bonde teve importante papel na formação de São Cristóvão. Na década de 1860 os ônibus de tração animal já não conseguem servir às áreas da cidade. O Barão de Mauá solicita ao governo imperial a concessão para instalação de empresa de carris urbanos - os bondes puxados por 2 animais, transportando cerca de 30 passageiros. Chácaras e fazendas são retalhadas para abertura de ruas, lotes são postos à venda, alterando conteúdo social dos bairros. Surgem vilas em função das companhias, tais como Vila Isabel e Vila Guarani, esta em São Cristóvão. O capital estrangeiro domina a expansão dos bondes, influenciando no desenho urbano e social. O capital nacional não fica atrás. Com o acúmulo proporcionado principalmente pelo café, amplia investimentos e adquire imóveis nas áreas dos bondes e une-se ao estrangeiro na criação de novos bairros. Com o domínio do transporte na zona norte pela Rio de Janeiro Street Railway (depois chamada São Cristóvão) e a Cia de Ferro Carril de Vila Isabel. A primeira teve forte influência na formação do bairro.Os bondes com destino a São Cristóvão seguiam pela rua do mesmo nome (já asfaltada) chegando ao Campo, atravessando-o e entrando na rua São Luis Durão (Murundu, até 1870) e praia de São Cristóvão. Daí voltavam ao Centro através das ruas Pau-Ferro (Conde de Leopoldina) e Maruí (Senador Alencar). Atravessavam o Campo prosseguindo pela rua da Feira (Figueira de Melo) até a junção com a São Cristóvão e daí ao Centro. Em 1º de agosto de 1869 iniciou-se o assentamento de trilhos. Em 23 de janeiro de 1870 foi aberto todo o tráfego da linha de São Cristóvão.Com a extensão dos trilhos dos bondes, das redes de água, esgoto e gás, longas extensões de mangues e charco foram dessecadas e muitas chácaras divididas e leiloadas, surgindo novas ruas e tipos de edificação. Em linhas gerais, podemos delinear a ocupação dos sítios em São Cristóvão da seguinte forma: as camadas altas da sociedade se localizam no sopé das colinas, nas ruas da Alegria (atual Prefeito Olímpio de Melo), Bela, São Cristóvão e São Luiz Gonzaga, enquanto a população operária se instalava nas partes não construídas das ruas antigas ou nas colinas. |