|
Pavilhão de Exposições |
|
Vista da cidade |
|
|
|
A instalação de indústrias ocorre de forma
espontânea e insere-se no contexto do surgimento de algumas fábricas na
cidade a partir de meados do século XIX, beneficiada pelo acúmulo de capitais
gerados não só pelo excedente da primeira fase da expansão cafeeira como
pelas atividades exportadoras e também a existência de um proletariado
concentrado em São Cristóvão, Gamboa, subúrbios, Gávea, Tijuca e Laranjeiras,
formado pelo excedente de ex-escravos e imigrantes que se tornam operários
de baixa qualificação.
As indústrias se põem principalmente nas proximidades das praias de São
Cristóvão e Caju, junto aos armazéns e trapiches, também utilizando áreas
tomadas aos pântanos e velhos casarões abandonados. A existência do matadouro
em São Cristóvão (na atual Pça da Bandeira) serviu de incentivo ao estabelecimento
de curtumes, fábrica de velas, sabão e salsichas.
Destacamos, ainda, a fábrica de artefatos de barro na rua da Aurora (atual
General Bruce), junto à praia e defronte à Companhia de Vidros e Cristais
do Brasil (a primeira grande fábrica de vidros do Rio) que foi fundada
pelo capitalista que deu nome à rua e próximo à Igreja do Bonfim estava
a Cia Imperial de Navegação a Vapor.No Caju a Cia Edificadora e a Estrada
de Ferro do Rio Douro.
Em fins do séc. XIX, em decorrência de inúmeras crises econômicas no
setor cafeeiro e mudança nas relações de produção, houve grande incremento
da atividade econômica na cidade com a instalação de indústrias de tecidos,
alimentos, bebidas e calçados, destacando-se no bairro a Fábrica de Tecidos
São Lázaro (1888) e o Grupo da Companhia União Industrial São Sebastião.
Este processo de deslocamento das unidades industriais para São Cristóvão
consolidou a modificação do perfil que perdeu seu prestígio como área
residencial nobre para tornar-se área fabril com suas condições de infra-estrutura,
como abastecimento de água, transportes e instalações, sendo uma vantagem
a mais como incentivo ao estabelecimento das empresas.
As obras de modernização do Porto do Rio de Janeiro foram o início da
perda da região praieira do bairro, mas a abertura da avenida do Cais
estabelece ligação direta deste com o Centro da Cidade com a zona industrial
emergente em São Cristóvão.A reforma urbana de Pereira Passos foi o marco
para a transformação do uso do solo do bairro de residencial para industrial.
Durante a I Guerra Mundial, em razão da energia elétrica da Light e a
proximidade do porto mais bem aparelhado do país, intensificam-se as atividades
fabris em São Cristóvão.O aterro do saco de São Diogo deu origem a vários
logradouros como a Av. Francisco Bicalho, parte da Rodrigues Alves, Brasil
e Pedro II e das ruas São Cristóvão e Francisco Eugênio.Já durante o Estado
Novo, a legislação definiu São Cristóvão como zona industrial (Decreto
6.000/37) estimulando a instalação de grandes indústrias.
Na administração de Henrique Dodsworth (década 40), a abertura da Av.
Brasil teve suma importância para o bairro que já era o principal pólo
industrial do município e ganhou importância na malha viária com acesso
rápido e fácil a várias partes da cidade provocando forte valorização
dos terrenos. Com a valorização, grandes indústrias ali instaladas venderam
seus terrenos e mudaram-se para locais menos valorizados mas servidos
pela Av. Brasil. São Cristóvão passa a concentrar pequenas indústrias
e comércio atacadista.
O comércio varejista local - modesto - instalou-se basicamente nas ruas
servidas por transportes coletivos como Bela, Figueira de Melo e trecho
da São Luiz Gonzaga atendendo, principalmente, aos operários das indústrias.
Com o advento da rodovia Rio-Bahia houve aumento significativo do fluxo
de imigrantes nordestinos vindos nos caminhões "paus-de-arara"
até o Campo de São Cristóvão, local onde os mesmos aguardavam a carga
que transportariam de volta ao nordeste.
Esta "invasão" de nordestinos foi gradativamente afastando
os moradores de classe média das ruas próximas ao Campo e suas residências
vão sendo adaptadas (em muitos casos) para servirem de lojas, pensões,
botequins, casas de cômodos. As denominadas cabeças-de-porco. O ápice
da migração deu-se em fins da década de 50 quando o nordeste sofreu uma
das piores secas. Com a queda dos níveis de renda da população, o bairro
vai se deteriorando havendo má conservação de prédios e o fortalecimento
do comércio de características nordestinas, tais como as da rua Senador
Alencar e a feira nordestina.
A década de 60 foi de prosperidade para o bairro que contribuía com quase
50% do ICM do município, tinha o 4º parque industrial da América do Sul
e 2º do país, tendo ainda como destaque a inauguração da CADEG (Centro
de Abastecimento do Estado da Guanabara) que, à época, era um grande centro
de distribuição de hortifrutigranjeiros às margens da Av. Brasil.Pode-se
afirmar que na década de 60 praticamente todos os ramos fabris possuíam
sede em São Cristóvão: indústrias de minerais não metálicos, mecânica,
transporte, borracha, química, farmacêutica.
Paralelamente, também estabeleceram-se ali depósitos, trapiches, serrarias,
gráficas, transportadoras, materiais de construção, gêneros alimentícios
e bancários.
Quanto ao comércio de automóveis e acessórios, fortaleceu-se localizando-se
nas áreas próximas ao Campo em edifícios residenciais adaptados.Com a
rodoviária Novo Rio sendo inaugurada em 1965 os ônibus que substituíram
os "paus-de-arara" foram para lá transferidos em 1966/67, iniciando-se
a descaracterização do comércio permanente local, num novo processo de
transformação de ocupação do solo que sofreu influência da construção
do Pavilhão (Centro de Exposições) levando um número grande de prédios
antigos a serem adaptados para construção de restaurantes, churrascarias
e bares que atendiam aos profissionais que trabalhavam no bairro e arredores.
Ampliou-se a concentração do comércio especializado em automóveis.
Na década de 70 o bairro continuou sendo predominantemente industrial,
com indústrias de pequeno e médio porte com destaque para os armazéns,
sendo que o setor terciário ganha importância com a permissão para construções
mistas, do tipo comercial-residencial. |
|