A Industrialização (1842)


Pavilhão em construção

Pavilhão de Exposições

Vista da Cidade

Vista da cidade





A instalação de indústrias ocorre de forma espontânea e insere-se no contexto do surgimento de algumas fábricas na cidade a partir de meados do século XIX, beneficiada pelo acúmulo de capitais gerados não só pelo excedente da primeira fase da expansão cafeeira como pelas atividades exportadoras e também a existência de um proletariado concentrado em São Cristóvão, Gamboa, subúrbios, Gávea, Tijuca e Laranjeiras, formado pelo excedente de ex-escravos e imigrantes que se tornam operários de baixa qualificação.

As indústrias se põem principalmente nas proximidades das praias de São Cristóvão e Caju, junto aos armazéns e trapiches, também utilizando áreas tomadas aos pântanos e velhos casarões abandonados. A existência do matadouro em São Cristóvão (na atual Pça da Bandeira) serviu de incentivo ao estabelecimento de curtumes, fábrica de velas, sabão e salsichas.

Destacamos, ainda, a fábrica de artefatos de barro na rua da Aurora (atual General Bruce), junto à praia e defronte à Companhia de Vidros e Cristais do Brasil (a primeira grande fábrica de vidros do Rio) que foi fundada pelo capitalista que deu nome à rua e próximo à Igreja do Bonfim estava a Cia Imperial de Navegação a Vapor.No Caju a Cia Edificadora e a Estrada de Ferro do Rio Douro.

Em fins do séc. XIX, em decorrência de inúmeras crises econômicas no setor cafeeiro e mudança nas relações de produção, houve grande incremento da atividade econômica na cidade com a instalação de indústrias de tecidos, alimentos, bebidas e calçados, destacando-se no bairro a Fábrica de Tecidos São Lázaro (1888) e o Grupo da Companhia União Industrial São Sebastião.

Este processo de deslocamento das unidades industriais para São Cristóvão consolidou a modificação do perfil que perdeu seu prestígio como área residencial nobre para tornar-se área fabril com suas condições de infra-estrutura, como abastecimento de água, transportes e instalações, sendo uma vantagem a mais como incentivo ao estabelecimento das empresas.

As obras de modernização do Porto do Rio de Janeiro foram o início da perda da região praieira do bairro, mas a abertura da avenida do Cais estabelece ligação direta deste com o Centro da Cidade com a zona industrial emergente em São Cristóvão.A reforma urbana de Pereira Passos foi o marco para a transformação do uso do solo do bairro de residencial para industrial.

Durante a I Guerra Mundial, em razão da energia elétrica da Light e a proximidade do porto mais bem aparelhado do país, intensificam-se as atividades fabris em São Cristóvão.O aterro do saco de São Diogo deu origem a vários logradouros como a Av. Francisco Bicalho, parte da Rodrigues Alves, Brasil e Pedro II e das ruas São Cristóvão e Francisco Eugênio.Já durante o Estado Novo, a legislação definiu São Cristóvão como zona industrial (Decreto 6.000/37) estimulando a instalação de grandes indústrias.

Na administração de Henrique Dodsworth (década 40), a abertura da Av. Brasil teve suma importância para o bairro que já era o principal pólo industrial do município e ganhou importância na malha viária com acesso rápido e fácil a várias partes da cidade provocando forte valorização dos terrenos. Com a valorização, grandes indústrias ali instaladas venderam seus terrenos e mudaram-se para locais menos valorizados mas servidos pela Av. Brasil. São Cristóvão passa a concentrar pequenas indústrias e comércio atacadista.

O comércio varejista local - modesto - instalou-se basicamente nas ruas servidas por transportes coletivos como Bela, Figueira de Melo e trecho da São Luiz Gonzaga atendendo, principalmente, aos operários das indústrias. Com o advento da rodovia Rio-Bahia houve aumento significativo do fluxo de imigrantes nordestinos vindos nos caminhões "paus-de-arara" até o Campo de São Cristóvão, local onde os mesmos aguardavam a carga que transportariam de volta ao nordeste.

Esta "invasão" de nordestinos foi gradativamente afastando os moradores de classe média das ruas próximas ao Campo e suas residências vão sendo adaptadas (em muitos casos) para servirem de lojas, pensões, botequins, casas de cômodos. As denominadas cabeças-de-porco. O ápice da migração deu-se em fins da década de 50 quando o nordeste sofreu uma das piores secas. Com a queda dos níveis de renda da população, o bairro vai se deteriorando havendo má conservação de prédios e o fortalecimento do comércio de características nordestinas, tais como as da rua Senador Alencar e a feira nordestina.

A década de 60 foi de prosperidade para o bairro que contribuía com quase 50% do ICM do município, tinha o 4º parque industrial da América do Sul e 2º do país, tendo ainda como destaque a inauguração da CADEG (Centro de Abastecimento do Estado da Guanabara) que, à época, era um grande centro de distribuição de hortifrutigranjeiros às margens da Av. Brasil.Pode-se afirmar que na década de 60 praticamente todos os ramos fabris possuíam sede em São Cristóvão: indústrias de minerais não metálicos, mecânica, transporte, borracha, química, farmacêutica.
Paralelamente, também estabeleceram-se ali depósitos, trapiches, serrarias, gráficas, transportadoras, materiais de construção, gêneros alimentícios e bancários.

Quanto ao comércio de automóveis e acessórios, fortaleceu-se localizando-se nas áreas próximas ao Campo em edifícios residenciais adaptados.Com a rodoviária Novo Rio sendo inaugurada em 1965 os ônibus que substituíram os "paus-de-arara" foram para lá transferidos em 1966/67, iniciando-se a descaracterização do comércio permanente local, num novo processo de transformação de ocupação do solo que sofreu influência da construção do Pavilhão (Centro de Exposições) levando um número grande de prédios antigos a serem adaptados para construção de restaurantes, churrascarias e bares que atendiam aos profissionais que trabalhavam no bairro e arredores. Ampliou-se a concentração do comércio especializado em automóveis.

Na década de 70 o bairro continuou sendo predominantemente industrial, com indústrias de pequeno e médio porte com destaque para os armazéns, sendo que o setor terciário ganha importância com a permissão para construções mistas, do tipo comercial-residencial.